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Portugal: Que escolhas, que destino?

Para bem ou para mal, para bem e para mal, Portugal é hoje uma sociedade politizada. Saibamos converter o negativo em positivo. Saibamos equacionar, por nós, os nossos próprios problemas.

Saibamos redimensionar-nos à nossa autêntica medida que, bem vistas as coisas, nem é demasiado grande nem demasiado pequena, tendo em vista a nossa real projeção no mundo histórico globalmente considerado.

Saibamos descobrir os tesouros das nossas terras e das nossas gentes sem deixarmos essas tarefas a estrangeiros: tesouros de uma relativa riqueza material, climática principalmente, mas, sobretudo, tesouros de bondade, de generosidade, de universalidade, de dedicação que uma prática chatineira de séculos só em parte ocultou.

Saibamos compreender que quanto mais uma sociedade se complexifica mais necessidade tem de uma prática política sã, aberta, leal, digna, numa palavra, de seres humanos que recusam tanto o robotismo como o maquiavelismo, tanto a anarquia como a tirania, tanto a estagnação como a ebulição, tanto o resignacionismo fatalista do pior como o optimismo de uma candura sem falhas e a toda a prova.

Saibamos, numa palavra, ser realistas: à escuta, não tanto do parceiro ideológico do lado ou da frente, não tanto do deputado contrincante, quanto dos homens reais e do Povo real nas suas aspirações e nas suas carências, nas suas raízes e nas suas possibilidades de florescer e frutificar, nas suas qualidades e nos seus defeitos.

Só assim poderemos retomar a história do nosso País, só assim será possível a reinvenção de Portugal por Portugal, a recriação de Portugal por Portugal. Através da democracia como espaço da liberdade e da comunidade, da subjectividade e da legalidade, da consensualidade e da soberania popular.

Neste momento, assiste-nos a consciência de que três e só três são os estímulos que ao opus ingens [obra ingente] nos podem mover: um alto ideal moral, o interesse, singular e coletivo, e a coação que se aplica ao escravo. Depende de nós e, em última instância, só de nós, que sejam os dois primeiros a imperar e não o último, que é indigno de seres humanos.

É a hora de, lembrados de duas advertências de um “profeta” francês nos anos terríveis da última guerra, repetirmos à sua maneira: «Portugal, guarda-te de perder a tua alma!”; “Portugal, guarda-te de perder a tua liberdade!».

 

P. Manuel Antunes, SJ
In Repensar Portugal (1979)
© SNPC | 09.06.14

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