Quem sou eu diante de Deus?
Quem sou eu, diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a milha alegria, de louvá-lo? Ou afasto-me? Quem sou eu, diante de Jesus que sofre?
[No Evangelho da paixão e morte de Jesus proclamado no Domingo de Ramos] ouvimos muitos nomes. O grupo dos dirigentes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns doutores da lei, que tinham decidido matá-lo. Esperavam a oportunidade de o prender. Sou eu como um deles?
Ouvimos também outro nome: Judas. Trinta moedas. Sou como Judas?
Ouvimos outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que adormeceram enquanto o Senhor sofria. A minha vida está adormecida?
Ou sou como os discípulos que não entendiam o que seria trair Jesus? Como aquele outro discípulo que queria resolver tudo como a espada: sou como eles?
Sou como Judas, que finge amar e beija o Mestre para o entregar, para o trair? Sou eu traidor?
Sou como aqueles dirigentes que num instante fazem um tribunal e procuram falsos testemunhos: sou eu como eles? E quando faço isso, se o faço, acredito que com isso salvo o povo?
Sou como Pilatos? Quando vejo que a situação é difícil, lavo as mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar - ou condeno eu - as pessoas?
Papa Francisco. Vaticano, 13.4.2014. Foto: AP Photo/Riccardo De Luca
Sou como aquela turba que não sabia bem se estava num encontro religioso, num julgamento ou num circo, e escolhe Barrabás? Para eles é o mesmo: era mais agradável, para humilhar Jesus.
Sou como os soldados que batem no Senhor, que lhe cospem, que o insultam-no e se divertem com a humilhação do Senhor?
Papa Francisco. Vaticano, 13.4.2014. Foto: AP Photo/Riccardo De Luca
Sou como o Cireneu que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz?
Sou como aqueles que passavam diante da Cruz e escarneciam de Jesus: «Era tão corajoso! Desça da cruz e acreditaremos nele». Escarnecer de Jesus...
Papa Francisco. Vaticano, 13.4.2014. Foto: AP Photo/Gregorio Borgia
Sou como aquelas mulheres corajosas, e como a mãe de Jesus, que estavam lá, que sofriam em silêncio?
Sou como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para lhe dar sepultura?
Sou como as duas Marias que permanecem diante do sepulcro a chorar, a rezar?
Papa Francisco. Vaticano, 13.4.2014. Foto: AP Photo/Gregorio Borgia
Sou como aqueles chefes que no dia seguinte foram ter com Pilatos para dizer: «Olha que ele dizia que ressuscitaria. Que não aconteça outro engano», e bloqueiam a vida, bloqueiam o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não saia para fora?
Onde está o meu coração? A qual destas pessoas me assemelho? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana.
Papa Francisco
Homilia na Missa de Ramos na Paixão do Senhor
Vaticano, 13.4.2014
Trad.: SNPC/rjm
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13.04.14
Papa FranciscoMissa de Ramos
Vaticano, 13.4.2014
Foto: AP Photo/Riccardo De Luca
Da cruz avista-se a manhã de Páscoa
Quem abraça a cruz, tem a força da ressurreição: Meditação sobre o Evangelho do Domingo de Ramos
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