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Revista "Brotéria" mostra «um retrato de Portugal» e analisa «coadoção em uniões homossexuais»

A mais recente edição da revista "Brotéria - Cristianismo e Cultura", referente aos meses de maio e junho, abre com «Um retrato de Portugal» tirado por Manuel Braga da Cruz, anterior reitor da Universidade Católica Portuguesa.

O professor de Sociologia Política na mesma instituição apresenta «alguns traços mais característicos» do país, «do ponto de vista social e político».

O diagnóstico compreende oito pontos: terciarização, secularização, envelhecimento, inatividade, crise do Estado Social, a governabilidade enquanto problema, a partidocracia, e o sistema de governo.

O autor considera que «Portugal vive hoje a maior crise da sua democracia»: «Os graves problemas financeiros e económicos que nos atormentam não são apenas endógenos, antes têm muito que ver com a crise internacional e europeia, e só nesse âmbito terão solução. Mas as suas consequências sociais e políticas abrem questões internas e sistémicas que têm de receber resposta nacional».

«A coadoção em uniões homossexuais» é o tema da análise de Pedro Vaz Patto, que começa por frisar que o projeto-lei 278/XII «permitirá tornear facilmente a atual proibição da adoção conjunta por pares do mesmo sexo».

«Basta que uma das pessoas adote singularmente, ou (os casos mais frequentes na prática) que uma mulher recorra à procriação artificial num país que não a proíba, e depois o seu cônjuge, companheira ou companheiro, solicite a coadoção», argumenta o juiz desembargador.

O texto apresenta as «finalidades do instituto da adoção», ou seja, «o superior interesse da criança», reflete sobre «os danos da coadoção em uniões homossexuais na perspetiva do bem da criança», questiona o «consenso científico», recorda a «jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem» e interroga se «o próximo passo» vai ser «o regime da procriação artificial».

Nuno Santos revela «os principais títulos atribuídos ao papa», na convicção de que cada um tem história, conteúdo e, «principalmente, implicações eclesiológicas», isto é, relacionadas com a orgânica e funcionamento da Igreja.

«Precisamos de continuar a fazer uma teologia do ministério petrino à luz de uma hermenêutica conciliar. O caminho está a ser feito e continua a ser aprofundado», salienta o padre da diocese de Coimbra.

O estudante de Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, propõe-se fazer luz sobre algumas interrogações: «Será melhor dizer Sumo Pontífice ou Bispo de Roma? Que consequências tem dizer Vigário de Cristo ou Sucessor de Pedro? Qual a razão pela qual se deixou de usar o título Patriarca do Ocidente? O que está a mudar no exercício do ministério petrino?».

«Resquícios da Guerra Fria: a Península Coreana» é o tema desenvolvido por Raquel Vaz-Pinto, professora auxiliar na UNiversidade Católica.

O estudo procura refletir sobre a situação vivida na Coreia do Norte e, em especial, nas questões levantadas pelo seu programa nuclear», refere a presidente da Associação Portuguesa de Ciência Política.

«Tendo em consideração a posição geográfica da península coreana e a tragédia humana vivida pelo povo norte-coreano, a decisão de Pyongyang de prosseguir com a sua ambição nuclear pode ter consequências não só regionais, mas também a nível mundial», alerta.

Henrique Vilaça Ramos, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, propõe uma «viagem ao outono da vida», num itinerário centrado no envelhecimento.

«Visitar o outono da vida é de inegável atualidade, não só por serem os velhos uma população cada vez mais numerosa em Portugal, mas também porque, sendo o envelhecimento uma questão velha, a velhice atual depara com e coloca problemas novos», observa.

Este número da Brotéria, publicada pelos Jesuítas desde 1902, inclui ainda um artigo de opinião do jornalista Francisco Sarsfield Cabral, que interpela: «Religião sem Deus?».

«Terá sentido ser religioso e ateu? A questão é abordada num texto do americano Ronald Dworkin, publicado já depois da sua morte. Este autor defende a possibilidade de uma religião sem Deus», explica.

O Concílio de Trento, realizado no século XVI, é o tema da secção "Revisitando a Brotéria", que resgata um texto de J. Vaz de Carvalho publicado na revista em 1962.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 18.07.13

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