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Revista "Humanística e Teologia" homenageia professor que uniu cultura e saber teológico

O número mais recente da revista "Humanística e Teologia" é uma edição especial com o título "Cristianismo e Cultura: Homenagem a Arnaldo de Pinho", que inclui mais de 50 colaborações de investigadores portugueses e estrangeiros ligados à Universidade Católica e outras instituições universitárias.

Em texto enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o diretor da publicação fundada há 33 anos explica que o volume é um tributo que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Porto) presta ao seu professor no momento da jubilação.

Os contributos reunidos nas mais de 800 páginas da revista expressam o «reconhecimento da relação científica inclusiva que o Prof. Arnaldo de Pinho sempre cultivou e do trabalho que desenvolveu sobretudo no âmbito da Faculdade de Teologia e do Centro de Estudos do Pensamento Português, em concertação com outras instituições científicas», sublinha Adélio Fernando Abreu.

Os estudos «são tematicamente heterogéneos, percorrendo a filosofia, a teologia, a história, a literatura, o direito», refere o docente.

«No âmbito da filosofia destacam-se os contributos no âmbito do pensamento português, suas temáticas e seus autores», enquanto que os estudos teológicos percorrem áreas como a Bíblia, Teologia Fundamental, a Cristologia, Moral e Liturgia.

Alguns autores optaram por abordar algum aspeto do pensamento ou do trabalho científico do padre Arnaldo de Pinho, ao passo que outros redigiram artigos «cujo conteúdo é diretamente de homenagem, em que emergem diferentes facetas do homenageado», como «os traços da convivência quotidiana, as relações institucionais e de amizade, o diálogo interuniversitário, a sua reflexão teológica e humanista».

«A poesia e a prosa também compareceram» neste número da revista publicada semestralmente pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Porto).

O texto de abertura do volume, que apresentamos a seguir, antecede o sumário com os artigos e respetivos autores.

FotoFoto: Sandra Boloto

 

«Para ligar o Eterno e este Dia»
Jorge Teixeira da Cunha

A Faculdade de Teologia - Porto tem a honra de apresentar este conjunto de textos com que colegas e amigos assinalam a jubilação do Professor Arnaldo Cardoso de Pinho. O verso de Sophia de Mello Breyner Andresen que abre estas palavras de apresentação pretende ser também um título para o longo labor teológico daquele que agora chega ao termo da sua felizmente longa carreira académica. Publicamos este volume no ano em que se assinala também um quarto de século sobre a instituição de uma secção da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa na cidade do Porto. Arnaldo de Pinho tem um lugar muito especial nesta instituição de que foi diretor durante uma década, e o seu trabalho incarna de maneira eminente o propósito com que se tem querido fazer a teologia neste contexto cultural e eclesial.

Mais do que um saber acumulado e transmitido de geração em geração, a teologia existe para fazer viver aos seres humanos de cada tempo e de cada contexto o tesouro da pulsação do divino que aquece e que ilumina de forma sempre nova e sempre antiga. A presença do divino no mundo aconteceu na pessoa de Jesus, onde culmina e começa continuamente a teologia. Como escreve Joseph Ratzinger, «os progressos da cristologia não podem derivar de uma simples teologia académica, nem que seja na sua forma moderna que se apresenta, na exegese crítica, na história dos dogmas, na antropologia, orientada segundo o modo das ciências humanas e de outras disciplinas. Tudo isto é importante ( ... ), mas não basta. Temos também necessidade da teologia dos Santos, da teologia que deriva de uma experiência concreta da realidade divina» (Il cammino pasquale, Milão 1986, p. 123).

A nosso ver, esta foi a principal preocupação do modo de trabalhar de Arnaldo de Pinho. Tendo tido um primeiro contacto com a teologia escolar, no seu curso do Seminário, teve posteriormente a fortuna de desenvolver as suas capacidades no contacto com a teologia centro-europeia, nomeadamente na sua vertente de teologia hermenêutica. Isto habilitou-o para introduzir no nosso contexto um novo tipo de trabalho teológico ao longo dos anos de magistério. Um método muito fecundo de acesso aos enunciados da revelação e da doutrina e uma atenção aos dados do nosso contexto cultural foram os ingredientes que lhe possibilitaram construir uma obra verdadeiramente inovadora no nosso meio académico que, felizmente, está em processo de publicação numa edição quase completa.

As suas publicações mostram esse percurso pelo acesso renovado aos mistérios do cristianismo, a cristologia, a eclesiologia, a leitura teológica das questões do nosso tempo. O seu interesse pelas mediações da nossa cultura levaram-no a interessar-se por figuras do pensamento português filosófico e teológico, entre as quais avultam D. António Ferreira Gomes e Leonardo Coimbra, entre as muitas figuras do Porto que incluem criadores da literatura e das outras artes. O seu trabalho nunca é teologicamente diletante. Sempre visa a relevância da fé para iluminar os dias que correm e os caminhos pastorais que realizam a relevância histórica da vida da Igreja. Identificar e interpretar os vestígios imanentes do divino no mundo parecem ter sido as suas preocupações dominantes.

Muitos alunos puderam beneficiar dessa sua abertura de espírito. Atestam-no as inúmeras pessoas que promoveu a todos os graus académicos e as inúmeras pessoas do nosso meio que o respeitam como pensador e como elo de um diálogo da teologia com os outros saberes da academia e dos muitos fóruns intelectuais que nunca teve medo de frequentar.

Na hora da jubilação, a Faculdade de Teologia, de que foi Diretor no Porto, com o seu Centro de Estudos do Pensamento Português, de que foi o principal fundador, e o Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa manifestam-lhe a sua gratidão e a sua honra por o terem tido como mestre, como colega, como amigo.

O volume que agora vem à luz contém textos de índole diversa. Uns são testemunhos ou poemas sobre a figura homenageada, outros são textos científicos propriamente ditos. Esta divisão aconselhou-nos a sua apresentação, mantendo o esquema habitual da "Humanística e Teologia". Em ambos os grupos, a ordenação dos textos é alfabética, tendo em conta o nome dos (as) autores (as).

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© SNPC | 23.01.13

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Revista "Humanística e Teologia": telef. 226 196 200; endereço eletrónico: humanteol@porto.ucp.pt

 

 

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