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Somos pobres mas somos muitos

No livro "Somos pobres mas somos muitos", o religioso franciscano frei Fernando Ventura e o jornalista Joaquim Franco, propõem uma conversa sobre «temas e preocupações num ritmo sem rede, conversando à frente sobre o que ficou por esclarecer atrás, ou lançando para a frente o que merece ser retocado. Sem índice ou capítulos».

«[Os autores] deixam-se levar pelas circunstâncias que os rodeiam, com a preocupação da profundidade quando a superficiali­dade o exige, com um nome e um rosto como referência… Jorge Mario Bergoglio, que tinha uma história antes de ser Papa e como Papa tem marcado os dias recentes da História», lê-se na nota de apresentação.

Nas páginas de comentários que abrem o volume, o sociólogo José Manuel Pureza sublinha que «fazer da Igreja uma comunidade de "comunidades de sim" é um repto tão imenso como essencial.

«Não é um sim a tudo, lamechas, "fofinho", que de tanto se preocupar em ser "amiguinho" de todos não toma posição por nada nem por ninguém. (...) As comunidades de sim de que o mundo precisa têm que ser comunidades de não vigo­roso a todas as indignidades e a todo o apoucamento das pessoas, têm de ser comunidades de não à transformação dos direitos das pessoas e dos povos em favores que se dão para evitar a explosão social, têm de ser comunidades de não à negação da participação adulta de todos os homens e de todas as mulheres em todos os patamares de serviço e de decisão», frisa o professor universitário.

Por seu lado, Isabel Galriça Neto escreve que «sem temores ou tibiezas, cortando a direito, os autores avançam neste texto com perspetivas nem sempre consonantes, em diálogos, em inquietações, em descobertas que sabem a luta e exploração do (seu e nosso!) mundo interior».

«Para além da coragem de perguntar, de "dar nomes às coisas", de buscar pistas e sentidos nos caminhos – com e sem Deus –, há aqui a coragem de ser humilde e de aceitar que podem existir outras luzes  distintas sobre a realidade refletida. E há a humildade de aceitar que, mais que tudo, é a figura do Papa que ilumina estas inquietações e reflexões, a partir das vivências dos autores», aponta a médica.

Para o economista João Gil Pedreira, a «tónica» do livro publicado pela editora Verso da Kapa é colocada «na urgência da ação», não porque se esteja à espera de «terríveis momentos apocalípticos», mas porque se aguarda «um novo e esperançoso futuro», em que o mundo passe «a largar toda a sua competitividade fratricida e a evoluir na mais bela simbiose fraternal».

Referindo-se à primeira aparição pública do papa Francisco após a eleição, a 13 de março, o frei Fernando Ventura comenta:

«De repente, naquela figura simplesmente vestida com o fato oficial sem adornos nem atavios de circunstância, estava uma alma franciscana, no corpo de um jesuíta, vestido de dominicano! Quem ali tínhamos diante de nós e o que ali tínhamos diante de nós, não era uma perso­nagem de palco para consumo público – e para consumo do público – para responder a uma urgência de comunicação mediática, mas um homem igual a si próprio, igual ao que sempre tinha sido no seu ser padre, bispo e cardeal de Buenos Aires, que nunca teve tiques nem ademanes de poder nem de vaidade, mas que sempre havia pautado a sua vida por uma normalidade normal de relações, das tais solidárias dos afetos redimidos.

Por isso, importa sublinhar um gesto profético. A sua primeira "visita oficial" não foi como se disse a do «banho de multidão» do Rio de Janeiro, mas a do grito contra a indiferença que ele foi dar a Lam­pedusa, a ilha italiana onde chegam milhares de desesperados à procura da esperança. Mas voltemos um pouco atrás.

Como que em jeito de «ícone» reencontrado, naquele homem Bergoglio/Francisco que se apresentava à cidade e ao mundo, estavam reunidas três tradições fundamentais na vida e na missão da Igreja: a alma de Francisco de Assis na sua simplicidade de ser, a capacidade de comunicar com palavras inteligíveis de Domingos de Gusmão, e a tenacidade missionária de Francisco Xavier.  (...)

E chegou o tempo, e é já, em que a Igreja precisa de reencontrar estas três colunas da sua História e, sobretudo, as suas intuições originais e «originantes», não para as «imitar» sem mais, mas para lhes dar continuidade e atualização. A palavra-chave não pode ser a da imitação, mas sim a do seguimento.»

 

In Somos pobres mas somos muitos, ed. Verso da Kapa
08.12.13

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Capa

Somos pobres
mas somos muitos

Autores
Fr. Fernando Ventura
Joaquim Franco

Editora
Verso da Kapa

Ano
2013

Páginas
160

Preço
14,90 €

ISBN
978-989-840-6828

 

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