Três padres entre as 100 personalidades «mais influentes» em Portugal
Há três padres entre as 100 personalidades «mais influentes» que marcaram os últimos 12 meses em Portugal, segundo a lista publicada na edição de 7 de julho do semanário “Expresso”.
A classificação foi distribuída por seis categorias: «agitadores», «consagrados», «criadores», «líderes», «revelações» e «visionários».
O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, é o primeiro sacerdote católico a ser nomeado, aparecendo na categoria dos «líderes».
«Em tempo de crise económica e social profunda, com 25% da população portuguesa atingidos pela pobreza, está nas mãos do padre Lino da Silva Maia, vila-condense de 64 anos, a gestão da ajuda aos mais desfavorecidos», escreve a jornalista Raquel Moleiro.
O pároco de Aldoar, freguesia e paróquia da cidade do Porto, preside pelo sexto ano à CNIS, «o maior prestador de cuidados sociais do país», reunindo «2700 instituições, 180 mil trabalhadores que ajudam 500 mil pessoas».
«Em janeiro, o Estado passou-lhe para a mão 1,3 mil milhões para pagar creches, lares e refeições sociais», dias depois de a Assembleia da República lhe ter atribuído o Prémio Direitos Humanos 2011.
O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, também nomeado na categoria dos «líderes», «adotou um perfil bem mais discreto» do que era habitual, nota a jornalista Rosa Pedroso Lima.
«Com o país a enfrentar uma das maiores crises económicas de sempre e um Governo a cortar em tudo o que pode – até mesmo em dois feriados religiosos», o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa «limitou as suas intervenções ao mínimo», convertendo-se numa «autoridade discreta e quase distante».
O padre e poeta José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional, surge na categoria dos «visionários», em texto assinado por Henrique Raposo.
O «monge guerreiro», como o qualifica o colunista do “Expresso”, «é uma figura da cultura portuguesa, e não apenas da Igreja portuguesa».
«Não por acaso, Tolentino faz a ponte entre Jerusalém e Atenas», qualidade «rara» no catolicismo português, realça o autor, referindo-se respetivamente às cidades em que o cristianismo nasceu e onde entrou em diálogo com a vanguarda do pensamento ocidental.
«Muitos veem uma fé amolecida nesta capacidade de diálogo. Julgo que a apreciação está errada: o facto de Tolentino conseguir descer até Atenas não significa uma diminuição da sua fé. Muito pelo contrário, até porque o verdadeiro teste para o crente está no mundo e não nos claustros», sublinha Henrique Raposo.
«Sem concessões na fé e com o domínio da linguagem de Atenas, Tolentino mostra a sua crença num tempo que despreza a fé cristã e qualquer noção de transcendência», propondo «o caminho solitário e silencioso da espiritualidade».
Rui Jorge Martins
© SNPC |
15.07.12

P. Lino Maia

D. José Policarpo

P. Tolentino Mendonça







