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Diocese do Porto

"Viagens com Alma" partem à descoberta da herança de Cluny

O Departamento de Bens Culturais da diocese do Porto promove de agosto a outubro as “Viagens com alma”, destinadas a conhecer monumentos do norte de Portugal em que se manifesta a “herança de Cluny”.

Os destinos propostos são: Cluny e os caminhos de S. Bento (Santo Tirso, Bustelo, Paço de Sousa e Cete, 31 de agosto); Cluny e os caminhos de S. Tiago (Malta, Vairão, Azurara, Castro de S. Paio, 14 de setembro); “Cluny: a unidade católica e a vitalidade espiritual (S. Miguel do Couto, Burgães, Negrelos, Roriz, S. Martinho do Campo, 21 de setembro); Cluny e o nascimento de Portugal (Azurara, Vairão, Santo Tirso, Monte Mozinho, Paço de Sousa, Bustelo, 7 e 8 de Setembro e 5 e 6 de outubro).

A aproximação do ano 1000 acendeu os medos na população medieval: medo do fim do mundo, medo dos muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica, medo da epidemias, medo das invasões dos normandos...

Os mosteiros, que à época são o centro da Igreja, atravessam também uma crise: tendo caído sob o domínio dos bispos ou dos senhores feudais, muitos perderam a sua autonomia e influência. É então que operam diversas reformas que têm como objectivo restaurar o espírito beneditino das origens.

Uma comunidade instalada a partir de 910 em Cluny, França, vai ser o motor do renovamento monástico durante dois séculos. Em primeiro lugar, para garantir a sua independência, coloca-se sob a autoridade do papa, fugindo ao domínio de abades influentes.

FotoMosteiro de São Pedro de Cête

O poder da abadia de Cluny representa um fator que transcende a estrutura feudal, bem como a diversidade e o localismo que esta impõe. Contribuiu para a consolidação de um padrão de romanidade e de alguns princípios de unidade, que estão na base da linguagem artística comum à Europa de então ou seja, a arte românica.

Cluny, que deu vários papas à Igreja, atinge o seu apogeu em meados do século XII quando tem, sob a sua dependência, 1184 mosteiros submetidos a uma uniformidade de observância e de costumes monásticos.

Tendo características próprias, apesar de seguir a Regra de São Bento, a Ordem de Cluny desenvolve uma liturgia muito rica, sustentada pela imensa quantidade de ofícios litúrgicos que desempenha, plena de simbolismo e de magnificência.

FotoMosteiro de São Salvador de Paço de Sousa

Segundo o espírito cluniacense nenhuma realização era demasiado bela para honrar a Deus, o que irá favorecer uma estética de riqueza e de profusão ornamental.

A vida monástica contemplativa não impedia uma participação decisiva nas questões políticas. A própria fundação de Portugal pode ser lida em função das relações privilegiadas entre Henrique de Borgonha – pai de Afonso Henriques - e o seu parente, Hugo, o Grande - abade de Cluny

No início do século XII, os monges de Cluny sofrem um declínio irreversível, devido ao enriquecimento material e aburguesamento espiritual. Este ocaso está na origem de uma pequena comunidade religiosa que rapidamente se vai impor e modelar o cristianismo ocidental: a Ordem de Cister.

FotoMosteiro de Vairão

As visitas no âmbito do projeto “Cluny e influências: o conde, os lugares e o novo país” começam às 8h30, com o regresso previsto para as 18h00.

A viagem de um dia tem o custo de 45 euros por pessoa (almoço e deslocação), e de 145 euros no caso de a visita decorrer sábado e domingo (com almoço, jantar, dormida, pequeno almoço, almoço e deslocação).

As inscrições devem ser feitas até 10 dias antes da data da viagem.

 

Voz Portucalense, Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, Pèlerin | Com SNPC
© SNPC | 01.08.13

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Foto
Santo Tirso

 

Ligações e contactos
Inscrições: telef. 226 062 716; endereço eletrónico: geral@bcdp.org

 

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