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Visitação de Maria a Isabel: um Magnificat pleno de alegria, fé e delicadeza

«Naqueles dias, 
Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direcção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado 
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.

ImagemJacopo Pontormo

Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses
e depois regressou a sua casa.»

Lucas 1, 39-56 (Evangelho da Festa da Visitação de Nossa Senhora a Isabel, 31 de maio)

 

Na cena de Lucas 1,39-56, Maria escuta e reflete. Quando a Mãe rompe o silêncio, vibra de emoção e canta ao seu Senhor. As suas palavras, mais que um canto, são uma exaltação.

ImagemTintoretto

Pelo Magnificat podemos deduzir que, como nos grandes contemplativos, Deus desperta em Maria um júbilo indescritível. Esse é um dado válido para confirmar a nossa convicção de que a Mãe não só pertence à estirpe dos contemplativos, mas é a coroa e modelo de todos eles.

Maria ficou cerca de três meses com Isabel (Lc 1,56). De que falaram durante esses três meses? Qual foi o assunto central das suas conversas?

Na minha opinião, o Magnificat, talvez também o Benedictus, refletem o fundo dessas conversas, e do intercâmbio das suas impressões.

ImagemMarx Reichlich

Falaram da consolação de Israel, das promessas feitas a nossos pais, da misericórdia derramada de geração em geração, desde Abraão até aos nossos dias, da exaltação dos pobres e da queda dos poderosos.

Mais do que falar dos pobres, dos profetas e dos eleitos, falaram principalmente do próprio Senhor, de Deus-Javé. Quando alguém se sente intensamente amado pelo Pai, não consegue falar senão sobre Ele. A Mãe, ao recordar como foi centro de todos os privilégios, desde a imaculada conceição até à maternidade virginal, sentiria uma comoção única, falando do seu Deus e Pai. Diz Resch:

«Jamais se poderia encontrar expressão mais alta de sublimes sentimentos do que os que devem ter animado Maria naquele momento.»

ImagemUbaldo Gandolfi

Todas as emoções que aquelas duas mulheres excecionais sentiram e comunicaram estão refletidas no Magnificat, que não é outra coisa senão um desabafo espiritual, e um resumo das impressões e vivência das duas mulheres.

Deus, o próprio Deus, foi o fundo e o objeto das suas emoções, das suas expansões e das suas expressões, durante esses três meses em Ain Karim.

Todos os exegetas estão de acordo em que emerge, dos sete primeiros capítulos, uma figura feminina de perfis muito específicos: delicada, concentrada e silenciosa.

Por isso mesmo, Harnack achava «surpreendente» que Maria rompesse o seu habitual silêncio e intimidade com um canto exaltado. A isso responde Gechter, com uma explicação psicológica muito plausível:

ImagemRogier van der Weyden

«A sua profunda piedade viu-se envolvida pela grandeza do que Deus tinha feito nela. Não se podia pedir mais que isso para que o caráter silencioso da Virgem transbordasse com um ímpeto jubiloso de palavras. Sendo essa uma ocasião excecional, não há nenhuma contradição com o seu habitual recato e modéstia.»

Naturalmente, não foi apenas uma efusão espiritual, uma comunicação fraterna. Foi mais do que isso. Houve também solicitude e ajuda fraterna. Se o anjo diz a Maria que Isabel está no seu sexto mês, e logo depois dessa comunicação Maria vai para a casa de Isabel, e o Evangelho acrescenta que «Maria ficou cerca de três meses com Isabel», podemos deduzir com toda a naturalidade que a Mãe ficou em Ain Karim até depois do parto de Isabel.

ImagemMariotto Albertinelli

Maria emerge como uma jovem delicada, com grande sentido de serviço fraterno. É fácil imaginar a situação. Isabel está em gravidez adiantada, com eventuais complicações biológicas devido à idade avançada, e tornou-se meio inútil para os trabalhos domésticos. Zacarias estava mudo, «ferido», psicologicamente. Certamente viviam os dois sozinhos. A Mãe foi, para eles, uma bênção caída do céu.

Podemos imaginar Maria, como aparece sempre, atenta e serviçal; podemos imaginá-la nas tarefas domésticas quotidianas: comida, limpeza, lavar e costurar roupas, preparando tudo o que é preciso para um bebé, ajudando Isabel nas suas delicadas tarefas pré-natais, fazendo um pouco de enfermeira e um pouco de parteira – há tarefas privativas do mundo feminino –, consolando Zacarias com a misericórdia do Pai, preocupada, em qualquer momento, com os mil particulares domésticos...

Foi a própria delicadeza em pessoa.

ImagemVittore Carpaccio

 

Ignacio Larrañaga
In O silêncio de Maria - Conhecer de perto, amar melhor, 10.ª ed., Paulinas Editora
30.05.13

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ImagemVisitação (det.)
Fra Angelico

 

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