Bento XVI
A vida oferecida é a obra de arte mais bela
Bento XVI assistiu a 1 de outubro a um concerto no Vaticano oferecido por uma companhia italiana de energia.
O maestro estónio Neeme Jarvi dirigiu a orquestra e o coro da Academia Nacional de Santa Cecília, que interpretaram peças de Ludwig van Beethoven e de Joseph Haydn. O programa incluiu a obra “Cecilia, virgine romana”, do estónio Arvo Pärt, um dos mais importantes compositores contemporâneos de música sacra.
“As duas obras de Haydn e Beethoven fizeram ressoar toda a riqueza e potência da música sinfónica do período clássico e romântico”, que é “como um reflexo da grande sinfonia cósmica”, disse o Papa no fim do concerto.
Por seu lado, a obra de Pärt “quer dar voz a uma outra realidade, que não pertence ao mundo natural: dá voz ao testemunho da fé em Cristo, que numa palavra se diz ‘martírio’. É interessante que esse testemunho seja personalizado em Santa Cecília, uma mártir que é também a padroeira da música e do bel canto”.
Para Bento XVI, a união do trabalho sobre Santa Cecília às obras de Haydn e Beethoven oferece “um contraste rico de significado, que convida à reflexão”.
Bento XVI com Neeme Jarvi (esquerda) e o pianista Andrea Lucchesini (Foto: Getty Images)
“O texto do martírio de Santa Cecília e o estilo particular que o interpreta em chave musical parecem representar o lugar e o papel da fé no universo: no meio das forças vitais na natureza, que envolvem o homem e que também estão dentro dele, a fé é uma força diferente, que responde a uma palavra profunda, ‘saída do silêncio’, como dizia Santo Inácio de Antioquia”, afirmou o Papa.
“A palavra da fé – prosseguiu – tem necessidade de um grande silêncio interior, para escutar e obedecer a uma voz que está além do visível e do tangível. Esta voz fala também através dos fenómenos da natureza, porque é a potência que criou e governa o universo; mas para a reconhecer precisamos de um coração humilde e obediente”.
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“A fé segue esta voz profunda para onde a arte, por si só própria, não pode chegar: segue-a na vida do testemunho, da oferta de si mesmo por amor, como fez Cecília”, recordou Bento XVI.
“A mais bela obra de arte, a obra-prima do ser humano, é todo o seu ato de amor autêntico, do mais pequeno – no martírio diário – até ao sacrifício extremo. Que a própria vida se faça um canto: uma antecipação daquela sinfonia que cantaremos em conjunto no Paraíso”, concluiu.
rm
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14.10.10

Bento XVI no fim do concerto
Foto: AP Photo






