

O arcebispo de Évora, D. José Alves, manifestou hoje «grande alegria» por o cante alentejano ter sido integrado na lista do património imaterial da humanidade pela Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
«Não sendo alentejano, mas vivendo aqui há muitos anos, aprecio o cante, gosto de ouvir, leva-me à meditação e inspira-me algo de espiritual e sublime, bem como um desejo de elevação e libertação», afirmou o prelado em declarações ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
«O povo alentejano tem sido um povo mártir ao longo dos tempos; eu penso que o cante, à sua maneira, traduz um desejo de algo de novo, superior. Elevação, libertação - numa palavra, salvação», afirmou.
D. José Alves sabia que o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa se tinha deslocado até Paris, onde a Unesco se reuniu para avaliar a candidatura, mas desconhecia qual tinha sido a decisão, anunciada esta manhã.
«O reconhecimento como património imaterial da humanidade é um momento muito importante, e de hoje em diante vai dar um novo impulso à cultura e ao cante alentejano», observou.
O prelado considera que decisão é «um momento de júbilo para toda a região alentejana, que é muito afeiçoada à sua cultura, às suas tradições e ao cante».
«Há uma ligação muito profunda entre o cante e a espiritualidade», realçou D. José Alves: «O povo alentejano é profundamente religioso, e também meditativo e espiritual, embora não frequente muito a igreja».
A «ligação mais direta» com a espiritualidade cristã «foi feita ultimamente pelo padre António Cartageno [diocese de Beja], que adaptou o cante à liturgia, com obras que são apreciadas não só no Alentejo, como também em todo o Portugal», salientou D. José Alves.
Para a Unesco, o cante representa a solidariedade e a fraternidade, valores desta organização, sendo uma «referência de paz e serenidade», além de contribuir «para aproximar as pessoas».
O cante junta-se ao fado e à dieta mediterrânica, classificados em 2011 e 2013 como património imaterial da humanidade.
Rui Jorge Martins