Evangelho anuncia-se com «doçura», «fraternidade» e «amor», e não com «bastonadas inquisitoriais», diz papa
O papa Francisco frisou esta sexta-feira que o anúncio da mensagem cristã deve ser feito com suavidade, sem recorrer à violência, e sublinhou que «uma fé autêntica implica sempre um profundo desejo de mudar o mundo».
«Penso agora na tentação, que talvez possamos ter, e que muitos têm, de ligar o anúncio do Evangelho com bastonadas inquisitoriais, de condenação. Não, o Evangelho anuncia-se com doçura, com fraternidade, com amor», afirmou na homilia da missa a que presidiu na igreja de Jesus, em Roma, pertente aos Jesuítas.
A eucaristia, celebrada no dia em que os católicos evocam o “Santíssimo Nome de Jesus”, constituiu também uma ação de graças pela recente inscrição no Livro dos Santos de Pedro Fabro, sacerdote da Companhia de Jesus, congregação a que pertencia o cardeal Jorge Bergoglio antes de ser eleito papa.
Francisco, refere a Rádio Vaticano, convidou os participantes na celebração a perguntarem-se se o seu «coração conservou a inquietação da procura, ou se em vez disso se atrofiou».
«Só esta inquietação dá paz ao coração de um Jesuíta, uma inquietação também apostólica, não nos deve fazer cessar de anunciar o “kerygma” [conteúdos primeiros da fé cristã], de evangelizar com coragem. É a inquietação que nos prepara para receber o dom da fecundidade apostólica. Sem inquietação, somos estéreis», assinalou.
«Eis a pergunta que devemos colocar-nos: também nós temos uma visão e um impulso grandes? Também nós somos audazes? O nosso sonho voa alto? O zelo devora-nos? Ou somos medíocres e contentamo-nos com as nossas programações apostólicas de laboratório?», questionou.
Para Francisco, «a força da Igreja não habita em si própria e na sua capacidade organizativa, mas oculta-se nas águas profundas de Deus», que «agitam» os desejos, e estes «alargam o coração», porque «sem desejos não se vai a lado nenhum».
«Somos homens em tensão, somos também homens contraditórios e incoerentes, pecadores, todos», disse Francisco, acrescentando: «Nós, que somos egoístas, queremos todavia viver uma vida agitada por grandes desejos».
São Pedro Fabro nasceu em Le Villaret, atual território de França, a 13 de abril de 1506, e morreu em Roma, a 1 de agosto de 1546.
Rui Jorge Martins
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03.01.14
Papa FranciscoRoma. 3.1.2014
Foto: REUTERS/Alessandro Bianchi
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