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Francisco I: perfil de um papa que lê Dostoievski e Borges, ouve muito, fala pouco e faz da pobreza um combate

De acordo com uma informação nunca confirmada nem desmentida pelo próprio, o cardeal Jorge Maria Bergoglio teria recolhido cerca de 40 votos aquando do conclave de 2005, o suficiente para bloquear a eleição de Joseph Ratzinger, antes de deixar entender que não desejava ser eleito.

Oito anos mais tarde tudo mudou: Bergoglio tornou-se o primeiro papa latino-americano e o primeiro Jesuíta. E foi com naturalidade que a sua proximidade com os pobres o fez escolher o nome de Francisco.

Nascido em 1936 em Buenos Aires, numa família modesta de imigrantes italianos cujo pai era funcionário nos caminhos de ferro, Jorge Mario cresceu na escola pública antes de iniciar os estudos de técnico químico. Mais tarde voltou-se para o sacerdócio, amadurecendo a sua vocação no laboratório onde trabalhava. Entra no noviciado da Companhia de Jesus em 1958.

Após a ordenação em 1969 os estudos conduziram-no ao Chile e à Argentina, onde faz a profissão perpétua em 1973, antes de voltar para a Argentina, primeiro como mestre de noviços e depois como responsável máximo (provincial) pelos Jesuítas no país.

Foram anos difíceis, marcados pela ditadura e pelas divisões dos Jesuítas em relação à teologia da libertação. As vocações diminuem. Seis anos mais tarde, preocupado em manter a não politização dos religiosos, deixa uma província pacificada e novas vocações.

Reitor das faculdades jesuítas de teologia e filosofia de Buenos Aires, e pároco na capital argentina desde 1980, parte para a Alemanha em 1986 para terminar a sua tese de doutoramento em Friburgo. Regressa à Argentina como pároco: em Córdoba, 700 km a oeste da capital, junto à serra, depois em Mendoza, perto da fronteira com o Chile.

Em 1992 João Paulo II nomeia-o bispo auxiliar de Buenos Aires, e em 1997 coadjutor da arquidiocese, de que toma posse no ano seguinte, na sequência da morte do cardeal Antonio Quarracino. Dias antes de falecer, o prelado traçava o retrato de Bergoglio: «homem discreto e muito eficaz, fiel à Igreja e muito próximo dos padres e dos católicos».

Asceta e austero, o novo arcebispo ignora a pomposa residência episcopal da capital argentina para viver sozinho num pequeno apartamento perto da catedral e recusa carro com condutor em detrimento do autocarro e do metro.

Apesar da saúde frágil – extraíram-lhe parte do pulmão direito aos 20 anos – leva uma vida ascética e levanta-se às 4h30 da manhã para um dia de trabalho que começa sempre pela demorada leitura de uma imprensa a quem não deu mais que uma entrevista. O novo papa é conhecido por falar pouco mas ouvir muito.

Grande leitor, sobretudo de romances russos, com Dostoievsky à cabeça, e o seu compatriota Borges, aprecia também ópera e é um fervoroso adepto do San Lorenzo, um dos grandes clubes da capital argentina, fundado em 1908 por um padre.

Dos seus anos de pároco em Buenos Aires e na montanha guardou um forte sentido pastoral. Não desdenha confessar regularmente na sua catedral e faz tudo para estar próximo dos seus padres, para quem abriu uma linha telefónica direta. Não é raro vê-lo tomar uma sandes ao pequeno-almoço num restaurante com um dos seus sacerdotes.

Em 2009 não hesitou ir morar num bairro de barracas, em casa de um dos seus padres, então ameaçado de morte pelos traficantes de droga.

Em 2001 foi criado cardeal por João Paulo II. No mesmo ano a sua humildade impressionou os participantes no sínodo sobre o papel do bispo, em que foi relator adjunto, em substituição do cardeal Egan, arcebispo de Nova Iorque, chamado à cidade por causa dos atentados de 11 de setembro.

Tendo feito da pobreza um dos seus combates, este crítico aceso do neoliberalismo e da globalização tornou-se uma autoridade moral incontestável na Argentina e no exterior. Ao ponto de ser hoje, num país onde a oposição política é quase inexistente, a única verdadeira força a opor-se ao regime de Kirchner, de que não cessa de denunciar o autoritarismo.

Em 2005 a imprensa aliada de Kirchner acusou o padre Bergoglio, provincial dos Jesuítas durante a ditadura, de ter denunciado dois dos seus religiosos, que foram presos e torturados. Outros testemunhos, pelo contrário, lembram as energias que despendeu para conseguir a sua libertação.

 

Nicolas Senèze
In La Croix
Trad.: rjm
© SNPC (trad.) | 24.03.13

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