Patriarca de Lisboa apela à participação nas eleições e diz que financiamento à economia portuguesa está a falhar
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, apelou esta sexta-feira aos eleitores para não se absterem de votar no domingo, tendo-se também pronunciado sobre os problemas causados pela falta de financiamento à economia.
«Que participem, isso é que eu espero. Deles e de mim próprio. Como cidadãos, que participem todos, porque a vida política é fundamental em qualquer sociedade. É onde ativamos a nossa responsabilidade, é onde decidimos o nosso futuro a nível local e a nível nacional», vincou o prelado sobre as eleições autárquicas.
D. Manuel Clemente pediu aos eleitores que se ajudem a votar, caso necessário: «A minha insistência é que todos participemos, que nos ajudemos a participar, às vezes há pessoas com dificuldades a deslocar-se e podemos dispor-nos a ajudar, porque isto diz respeito a todos».
Em declarações aos jornalistas à margem de um almoço promovido pela Associação Cristã de Empresários e Gestores, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu-se também à situação económica em Portugal.
«O que está a falhar é o financiamento à economia, esse é que é o grande problema, nós como povo, como sociedade, contraíamos uma dívida muitíssimo grande, neste momento não digo que estamos nas mãos dos nossos credores, mas quase, e isso condiciona necessariamente a disponibilidade para reconstruir o país», frisou.
«Essa disponibilidade, e concretamente no que diz respeito às empresas, faz-se com financiamento, faz-se com investimento, se não existe cá, tem de se procurar lá fora, o lá de fora tem as condições que nos são ditas, tudo isto complica, mas enfim, não deixamos de ser pessoas e é com pessoas que nos temos de resolver», acrescentou.
Para D. Manuel Clemente, os sacrifícios devem ser bem explicados: «Conseguimos aguentar quando somos motivados, isto é, como todos sabemos na vida, face a determinadas situações nós somos capazes de sacrifícios quando sabemos a lógica desses sacrifícios, desde que haja possibilidade de os fazer; quando não há possibilidade, não os fazemos».
«Mas quando temos ainda alguma margem, aguentamos desde que percebamos a continuidade da história. E isso requer muita pedagogia, o que eu e os meus colegas temos requerido é muita pedagogia, muito esclarecimento, muita coesão, bons exemplos de todos, responsáveis e elites sobretudo», apontou.
O prelado aludiu ao número de homílias, conferências e encontros realizados pela Igreja católica, iniciativas que têm «consequências práticas», nomeadamente empresários que criaram postos de trabalho ou se esforçaram para não encerrar portas.
A Igreja, realçou D. Manuel Clemente, tem ajudado empresários e gestores, «muitos deles pessoas que se interessam por viver a sua fé no meio profissional, que estudam e conhecem a Bíblia e os documentos” da Igreja, e que, «às vezes, dão grandes lições» ao clero.
Renascença / Lusa
Edição: Rui Jorge Martins
© SNPC |
27.09.13

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