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É preciso aprender a arte do silêncio, a fecundidade da escassez, o vigor que há na sede

Quando as escolas «são feitas para a aprendizagem da palavra, do discurso, do conceito, do saber fazer», na convicção de que «só o conhecimento positivista das coisas» lhes pode dar «o seu sentido», faltam «mestres do silêncio, escolas que permitam aprender a não fazer, a pausa, a interrupção, os caminhos silenciosos, a contenção».

Em entrevista publicada esta quarta-feira no "Jornal de Letras" (JL), o padre José Tolentino Mendonça considera que é precisa «a aprendizagem da arte do silêncio, a fecundidade que há na escassez, o vigor que existe na sede», em contraponto a uma sociedade que «caminha noutro sentido».

As palavras do diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura surgem na sequência do seu último livro de poesia, "A papoila e o monge" (ed. Assírio & Alvim), escrito sob uma das formas de haiku japonês, género que o autor elogia «pela sua radical economia de meios, uma pobreza que é ao mesmo tempo uma concisão total», capaz de «tornar o menos mais de uma forma muito fulgurante».

«O haiku propõe uma atenção ao real que constituiu para mim uma maneira de colher o essencial tal como nos é dado numa evidência que nos apanha desprevenidos», diz Tolentino Mendonça de um género literário que é «uma poética do não saber».

Para o biblista madeirense, a arte tem o papel de «iniciar uma espécie de contra-viagem, em que a aprendizagem se faz ao contrário», porque a primeira coisa que o poema transmite é «talvez» a «necessidade do silêncio, de mergulhar numa experiência, de uma linguagem que está para lá da palavra».

«O poema não é a evidência, mas a interrogação, a sugestão, a lacuna, a fenda, a porta entreaberta, a possibilidade de viagem para cá e para lá dele. Nesse sentido, é sempre um sinal transitório, não um vestígio definitivo», afirma na entrevista que é tema de capa do JL e se prolonga por mais de quatro páginas.

O silêncio constitui «um dos elementos mais preciosos que as religiões podem trazer ao mundo contemporâneo»: «Aquilo que partilhamos e condividimos no silêncio tem um valor político importante. Ajuda a construir a cidade tal como a pessoa e os percursos humanos. O silêncio não é um não lugar, é um lugar de civilização».

A relação da Igreja com a cultura, o papa Francisco, as aulas e o cargo de vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa são alguns dos temas da entrevista conduzida pela jornalista Maria Leonor Nunes, para quem Tolentino Mendonça é «uma das vozes mais intensamente radicais da poesia portuguesa contemporânea».

 

In Jornal de Letras, 11.12.2013
11.12.13

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