Papa Francisco lança apela ecuménico: «Se não rezarmos uns pelos outros, a unidade não virá»
O papa Francisco concluiu hoje em Roma a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, tendo afirmado a membros de Igrejas cristãs e comunidades eclesiais que a reconciliação não acontecerá como «um milagre no fim», mas após um «caminho» conjunto.
«Se não caminhamos juntos, se não rezamos uns pelos outros, se não trabalhamos em muitas coisas que podemos fazer neste mundo para o povo de Deus, a unidade não virá», vincou o papa na oração litúrgica de Vésperas, que celebrou na Basílica de S. Paulo Fora de Muros, no dia em que se assinala a conversão do denominado apóstolo dos gentios, refere a Rádio Vaticano.
As divisões na Igreja não são um fenómeno «inevitável», acentuou Francisco, para quem «a perfeita união entre os irmãos» não «poderá ser fruto de estratégia humana» mas apenas tendo como referência «o pensamento e os sentimentos de Cristo Jesus».
«Cristo, que não pode ser dividido, quer atrair a si, para os sentimentos do seu coração, para o seu total e confiante abandono nas mãos do Pai, para o seu radical esvaziamento por amor da humanidade. Só Ele pode ser o princípio, a causa, o motor da nossa unidade», apontou.
A ação dos papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II «fez com que a dimensão do diálogo ecuménico se tenha tornado um aspeto essencial do ministério do bispo de Roma, tanto que hoje não se compreenderia plenamente o serviço petrino sem nele incluir esta abertura ao diálogo com todos os crentes em Cristo?.
Segundo Francisco, o caminho ecuménico «permitiu aprofundar a compreensão do ministério do sucessor de Pedro, e devemos ter confiança de que continuará a atuar nesse sentido, mesmo para o futuro».
«Sem esconder as dificuldades que hoje o diálogo ecuménico atravessa, pedimos para poder ser todos revestidos dos sentimentos de Cristo, para poder caminhar para a unidade por ele querida. Caminhar juntos é já fazer unidade», assinalou o papa.
A interrogação «estará Cristo dividido?», que S. Paulo colocou no início da sua primeira carta aos Coríntios, constituiu o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
«Peço-vos, irmãos (...) que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado (...) que há discórdias entre vós. Refiro-me ao facto de cada um dizer: "Eu sou de Paulo", ou "Eu sou de Apolo", ou "Eu sou de Cefas", ou "Eu sou de Cristo". Estará Cristo dividido?» (1 Coríntios 1, 10-13).
Este sábado, representantes das Igrejas católica, lusitana, presbiteriana, metodista e ortodoxa (Patriarcado Ecuménico de Constantinopla) em Portugal assinam em Lisboa uma declaração de reconhecimento mútuo do Batismo.
A cerimónia que decorre na catedral de São Paulo (Igreja Lusitana - Comunhão Anglicana), com a participação do patriarca e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, que apresentará uma reflexão, anuncia a Agência Ecclesia.
Rui Jorge Martins
© SNPC |
25.01.14

Papa Francisco
Celebração de Vésperas
Basílica de S. Paulo Fora de Muros
Roma, 25.2.1014
EFE/EPA/MAURIZIO BRAMBATTI
Divisão entre cristãos é um «escândalo», frisa papa Francisco, que pede para que diferença entre Igrejas seja entendida como riqueza
«Estará Cristo dividido?»: Pergunta de há dois mil anos continua a ecoar hoje entre os cristãos
«Igreja, sê terra de reconciliação»: Apelo ecuménico do Irmão Roger, fundador da comunidade de Taizé
Papa Francisco: textos e multimédia








