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História e espiritualidade

Dezassete séculos de vida monástica (6): uma gigantesca abadia ergue-se em Cluny

A aproximação do ano 1000 acende os medos na população medieval: medo do fim do mundo, medo dos muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica, medo da epidemias, medo das invasões dos normandos...

Os mosteiros, que à época são o centro da Igreja, atravessam também uma crise: tendo caído sob o domínio dos bispos ou dos senhores feudais, muitos perderam a sua autonomia e influência. É então que operam diversas reformas que têm como objectivo restaurar o espírito beneditino das origens.

Uma comunidade instalada a partir de 910 em Cluny, França, vai ser o motor do renovamento monástico durante dois séculos. Em primeiro lugar, para garantir a sua independência, coloca-se sob a autoridade do Papa e foge ao domínio de abades influentes. A Ordem de Cluny vai dar vários papas à Igreja e acabará por ter mais de 1200 mosteiros na Europa ocidental.

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Cluny reorganiza a regra beneditina, privilegiando a actividade litúrgica e diminuindo a importância do trabalho manual. O número de monges chamados ao sacerdócio aumenta exponencialmente, perturbando o equilíbrio entre clero e leigos desejado por S. Bento. Símbolo do seu poder, a abadia de Cluny torna-se a maior igreja da cristandade, ultrapassando mesmo a basílica de São Pedro de Roma.

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No início do século XII, os monges de Cluny sofrem um declínio irreversível devido ao enriquecimento material e aburguesamento espiritual. Este ocaso está na origem de uma pequena comunidade religiosa que rapidamente se vai impor e modelar o cristianismo ocidental: a Ordem de Cister.

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O maior edifício da cristandade medieval perdeu o seu esplendor mas ainda é possível admirar a sua arquitectura. A herança dos monges de Cluny permanece hoje na solenidade das grandes festas litúrgicas, como o Natal, e no culto dos defuntos, instituído a 2 de Novembro.

 

In Pèlerin
Trad.: rm
© SNPC (trad.) | 23.05.10

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Abadia de Cluny

 

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