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Exortação apostólica "A alegria do Evangelho"

«Queremos inserir-nos a fundo na sociedade», diz papa Francisco, que alerta: Fechar-se na comodidade é um «lento suicídio»

A interdependência entre a espiritualidade dos católicos e a influência cultural, política e social da Igreja nas sociedades constitui um dos temas abordados pelo papa Francisco na sua primeira exortação apostólica, “A alegria do Evangelho”.

Depois da secção mais longa do documento, dedicada à “dimensão social da evangelização”, Francisco conclui a “Evangelii gaudium” com o capítulo “Evangelizadores com espírito”, em que equaciona a relação pessoal com Deus e os frutos visíveis do cristianismo no mundo.

«A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?», questiona o papa.

«Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos de nos deter em oração para lhe pedir que volte a cativar-nos. Precisamos de o implorar cada dia, pedir a sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial.»

«Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova!»

«A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração. Se o abordamos desta maneira, a sua beleza deslumbra-nos, volta a cativar-nos vezes sem conta. Por isso, é urgente recuperar um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, cada dia, que somos depositários dum bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova. Não há nada de melhor para transmitir aos outros.»

Depois de realçar a importância da relação pessoal com Jesus, o papa apela aos católicos para que saiam ao encontro do mundo, em vez de ficarem ensimesmados nos seus planos e estruturas.

O texto apresenta Jesus como modelo» de uma «opção evangelizadora» que introduz a Igreja «no coração do povo».

«Se falava com alguém, fitava os seus olhos com uma profunda solicitude cheia de amor: “Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele” (Mc 10,21).»

«Vemo-lo disponível ao encontro, quando manda aproximar-se o cego do caminho (cf. Mc 10,46-52) e quando come e bebe com os pecadores (cf. Mc 2,16), sem se importar que o chamem de glutão e beberrão (cf. Mt 11,19).»

«Vemo-lo disponível, quando deixa uma prostituta ungir-Lhe os pés (cf. Lc 7,36-50) ou quando recebe, de noite, Nicodemos (cf. Jo 3,1-21). A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida.»

«Fascinados por este modelo, queremos inserir-nos a fundo na sociedade, partilhamos a vida com todos, ouvimos as suas preocupações, colaboramos material e espiritualmente nas suas necessidades, alegramo-nos com os que estão alegres, choramos com os que choram e comprometemo-nos na construção de um mundo novo, lado a lado com os outros.»

Francisco assinala que, por vezes, os católicos «têm a tentação de ser cristãos mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor».

«Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura», assinala.

Na relação com o mundo, os cristãos são convidados a dar razão da sua esperança, «mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam».

«Quando vivemos a mística de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. Cada vez que nos encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus.»

«Cada vez que os nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina-se mais a nossa fé para reconhecer a Deus. Em consequência disto, se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários.»

O papa sublinha que «um missionário plenamente devotado ao seu trabalho experimenta o prazer de ser um manancial que transborda e refresca os outros», e nota que «só pode ser missionário quem se sente bem procurando o bem do próximo, desejando a felicidade dos outros».

«Não se vive melhor fugindo dos outros, escondendo-se, negando-se a partilhar, resistindo a dar, fechando-se na comodidade. Isto não é senão um lento suicídio».

Impulsionada por uma espiritualidade consistente que é fonte de esperança, a missão dos cristãos não deve ser entendida como «obrigação» ou «peso» que «desgasta», mas como «opção pessoal» que os «enche de alegria» e lhes confere «identidade».

 

Nota: Texto não oficial.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 27.11.13

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