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«Tenho muita esperança no papa», diz Pedro Mexia

O escritor Pedro Mexia considera que o papa Francisco, em quem diz depositar «muita esperança», está a atrair pessoas que até hoje estavam afastadas do cristianismo, mesmo que a exortação "A alegria do Evangelho" não tenha trazido novidades.

«Há uma atitude, que nós chamamos franciscana, que este papa incarna, não só pela escolha do nome mas também pela sua postura humilde e despojada, que continua a dizer muito às pessoas, inclusivamente às que não são cristãs», sublinhou em declarações ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O critico literário realça que está a ser «impressionante ver a quantidade de pessoas que ouvem o papa»: «O meu testemunho pessoal, que vale o que vale, é que nunca vi tantas pessoas que estão longe do cristianismo na sua vida quotidiana dizerem "este papa tem qualquer coisa", "este papa tem coisas que me tocam"».

Pedro Mexia realça o facto de a humildade e os gestos de Francisco estarem a «tocar pessoas que, em geral, são hostis ao cristianismo, por estarem centradas em ensinamentos morais, nomeadamente de ética sexual, mas não só, esquecendo que há um conjunto de aspetos com os quais todas as pessoas de boa vontade, ou quase todas, são capazes de se reconhecer».

«Já assisti a quase conversões. Acho que o papa não está a pregar no deserto, e que havia uma ânsia em ouvir as suas palavras, que não são novas, mas que antes eram ditas de outra forma», assinala.

O bispo de Roma é o resultado das circunstâncias da sua vida: «Este é o papa do sul, da América Latina, onde as pessoas têm uma visão do mundo diferente da nossa, e onde os problemas sociais não são uma coisa que lemos nos jornais ou que só lemos em tempos de crise».

Referindo-se à exortação "A alegria do Evangelho", o colunista pensa que «muitos» dos seus conteúdos, «que parecem chocantes», não são mais que «o reiterar de uma doutrina conhecida, nomeadamente quanto à valorização do bem comum, que é uma noção algo esquecida em relação à ideia do mercado completamente soberano».

Para Pedro Mexia é estranho que Francisco «apareça como revolucionário, quando no fundo reitera os princípios fundadores da doutrina social da Igreja, que até há muito pouco tempo faziam parte do ADN dos partidos da direita e centro-direita da Europa».

«Quando a algumas pessoas parece revolucionária e "vermelha" uma doutrina com mais de um século, significa que perdemos um pouco o norte. E eu fico sempre contente quando um papa nos lembra o que já estava escrito, mas do qual estávamos esquecidos», apontou.

Pedro Mexia está convicto de que «um papa não pode trazer novidades: ou está nos Evangelhos ou não faz falta», pelo que «a exortação é interessante, mas ao mesmo tempo um pouco dececionante, porque significa que os seus conteúdos não permearam o tecido cultural».

«Acho que há matérias em que a Igreja prega no deserto; mas não é o caso das que estão em causa na exortação "A alegria do Evangelho", frisou.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 04.12.13

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FotoPedro Mexia
Foto: Expresso

 

 

 

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