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Diálogo entre Igreja e Cultura

Átrio dos Gentios em Braga e Guimarães

O cónego José Paulo Abreu, da arquidiocese de Braga, é o responsável operacional pela realização do primeiro Átrio dos Gentios em Portugal. A plataforma para o diálogo entre crentes e não crentes estabelecida pelo Conselho Pontifício da Cultura junta-se a 16 e 17 de novembro ao programa das Capitais Europeias da Juventude e da Cultura, que decorrem em 2012 nas cidades de Braga e Guimarães. O também presidente da Comissão Arquidiocesana para os Bens Patrimoniais, Cultura e Comunicação Social revelou os traços principais da iniciativa.

 

Como surgiu o convite para presidir à organização do Átrio dos Gentios na arquidiocese de Braga?

A iniciativa partiu do senhor arcebispo primaz de Braga, que me pediu para dar corpo ao projeto de trazermos a Portugal um Átrio dos Gentios.

A ideia nasce da realização de Guimarães, Capital Europeia da Cultura, e Braga, Capital Europeia da Juventude, que se celebram na nossa arquidiocese. Pensámos na realização do Átrio dos Gentios como forma de a Igreja se associar a este duplo acontecimento.

A partir deste desafio tentei agregar uma equipa que operacionalizasse o evento. Pareceu-me que a melhor forma de começar a estruturar este grupo seria através do Instituto de História e Arte Cristã da arquidiocese de Braga, que tem um gabinete de atividades culturais presidido pela Doutora Isabel Varanda. A seguir juntámos outras pessoas que representam várias instituições, sobretudo do mundo da cultura, como a Universidade do Minho e a Universidade Católica, entre outras entidades congéneres.

Temos estado a trabalhar no sentido de programar o Átrio dos Gentios para os dias 16 e 17 de novembro.

 

Quantas pessoas fazem parte da equipa?

Neste momento somos doze. Este Átrio dos Gentios, como todos, tem muitas vertentes: momento de festa, de envolvimento das pessoas, teatro, “workshops” e conferências. É preciso também contar com a publicidade, marketing e pesquisa dos meios humanos e materiais.

 

Onde vai decorrer?

Vai ser dividido por Braga e Guimarães. Em Guimarães estamos ainda em contacto com os responsáveis pelos espaços possíveis, eventualmente na Universidade do Minho e no Pavilhão Multiusos. Em Braga temos várias hipóteses em cima da mesa: o Parque de Exposições e o Auditório Vita.

 

Qual vai ser o programa?

O programa ainda não é definitivo mas já delineámos um roteiro. Iremos começar em Guimarães no dia 16 com a sessão de abertura, prevista para as 18h00. Estamos a trabalhar no sentido de oferecer um momento musical protagonizado pela Orquestra da Universidade do Minho.

Seguir-se-á a conferência inaugural com um tema que se vai situar em torno da identidade e sentido da vida de um povo. Todo o Átrio dos Gentios centra-se no sentido da vida. Temos em agenda alguns conferencistas, de quem estamos a tentar obter uma resposta positiva ao desafio que lhes lançámos.

O jantar está marcado para as 20h00 e pelas 21h30 teríamos uma conferência sobre o valor e o sentido da vida de cada ser humano, em princípio com o cardeal Gianfranco Ravasi [presidente do Conselho Pontifício da Cultura], que estará entre nós, além de alguns nomes da cultura portuguesa. Não queria adiantar estas personalidades porque não temos confirmações mas sonha-mos trazer cá António Damásio, João Lobo Antunes e Leonor Beleza, entre outras figuras que eventualmente poderemos enquadrar neste tema.

No sábado, dia 17, transferiremos o palco para Braga. As várias intervenções vão inserir-se no tema “Estilo de Vida e Salvaguarda do Universo”.

A partir das 14h30 prevemos um conjunto de “workshops” a funcionar em locais diferentes, de tal forma que as pessoas possam escolher, dividindo-se em espaços que temos vindo a apontar, como o Auditório Vita, os museus Pio XII e D. Diogo de Sousa e o Salão de Atos da Faculdade de Filosofia.

Os temas que estamos a pensar para esses “workshops” serão “Genética e Bioética”; “O Sentido da Vida e o Sofrimento Humano”, que liga a religião a vários humanismos; “O Valor da Vida e o Sentido do Universo”, abordando questões ecológicas; “O Valor do Corpo e a Consciência Espiritual”, uma tentativa de vermos a vida sob o prisma do desporto e da teologia; “Vida Pessoal e Vida Coletiva na Identidade Cultural”, relacionando a Psicologia e a História; e “O Valor da Vida Humana”, que refletirá sobre a economia e a espiritualidade.

À noite prevê-se que haja festa, com teatro, música, poesia e, eventualmente, alguma exposição.

 

Quem pode participar nestas iniciativas?

Vamos ter alguns convites, nomeadamente para a sessão inaugural e para algum momento conclusivo que eventualmente venha a ser criado.

Para os “workshops” e conferências a entrada será gratuita mas haverá inscrições; não queremos correr o risco de aparecerem muitas mais pessoas do que a lotação dos espaços ou escolhermos espaços demasiado amplos para o número de interessados.

 

O que é que a Igreja em Portugal pode esperar do Átrio dos Gentios?

O Átrio dos Gentios surge como um espaço “aconfessional”, ecuménico, de abertura e diálogo da Igreja com o mundo envolvente. Esperamos dar precisamente esse testemunho de abertura ao diálogo, recetividade às opiniões dos outros, vontade de aprender em conjunto, olhar em conjunto para o Homem, para a realidade da vida e para este universo onde vivemos. Esperamos dar esse testemunho de abertura, de horizontes largos, de capacidade de partilha e de vontade de aprendizagem recíproca com o contributo pensante de todos os que irão estar envolvidos.

É um sinal que a Igreja quer dar de que não está fechada na sacristia nem nas suas convicções e nos seus dogmas. Tem naturalmente as suas crenças, posições e valores mas está recetiva à conversa, à partilha e ao diálogo com quem pensa e encara a vida de forma diferente.

 

O que é mais importante na relação da Igreja Católica em Portugal com a cultura?

Uma coisa que todos temos de aprender é a humildade. A grande cultura passa sempre pelo pressuposto de que ninguém sabe tudo - temos sempre de aprender com todos. Por isso há sempre contributos positivos que se podem colher de todos os quadrantes.

O isolamento, o afastamento e preconceitos que por vezes se colam a imagens já ultrapassadas prejudicam tremendamente o diálogo e a descoberta dos melhores caminhos para um país, para as suas gentes e para a mentalidade comum.

Portanto todos somos chamados a um banho de humildade. É importante na cultura portuguesa a vontade de aprendermos em conjunto.

Criou-se em alguns meios a ideia de que a Igreja ficou anquilosada no seu passado, pelo que quem quer estar na linha da frente e partir para novas aventuras tem de se desvincular de todo o património religioso do país. Isso não corresponde à verdade. A Igreja continua presente na investigação, docência, bibliotecas e avanços da ciência. Ela tem um caminho feito e continua a fazê-lo e portanto todos aproveitamos desta partilha e entendimento.

 

Esta entrevista integra o número 17 do "Observatório da Cultura" (abril 2012).

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 17.04.12

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Capela Árvore da Vida
Braga































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