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Aveiro

Comissão Diocesana da Cultura lançou livro sobre diálogo entre a Igreja e o mundo

O livro do Padre Georgino Rocha - «Intervenção da Igreja na sociedade portuguesa contemporânea – “ajuda-nos a descobrir os passos de Deus no caminho da esperança”, afirmou o Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, na sessão de lançamento daquela obra.

A iniciativa, organizada pela Comissão Diocesana da Cultura, com o patrocínio da Câmara Municipal de Aveiro, decorreu no dia 11 de Dezembro.

O prelado referiu que “todos nós somos testemunhas desses passos de Deus pelo mundo”, adiantando que o livro “é o alimento do espírito” e que “a Teologia não está fora da cultura nem na fronteira da vida”.

O lançamento contou com a intervenção de D. António Marcelino, Bispo emérito da diocese, conhecido pela ousadia das suas intervenções públicas em prol do diálogo entre fé e cultura. Participou também o antigo presidente da edilidade aveirense, Alberto Souto de Miranda. A moderação coube a Maria da Luz Nolasco, vereadora da autarquia.

D. António Marcelino lembrou que na época do 25 de Abril ouviu de Manuel Alegre que “a história do nosso país não se faz à margem de Igreja”. O prelado referiu que ”o diálogo Igreja-Mundo” foi uma das suas preocupações pastorais, tendo nomeado o P. Georgino Rocha para promover iniciativas nesse sentido.

FotoP. Georgino Rocha

O Bispo emérito de Aveiro explicou que a Igreja não age hoje como o fez há 50 anos, salientando a importância do Vaticano II, que “deu uma face nova” ao pensar eclesial. Ao reconhecer que a Igreja desenvolveu acções com muito mérito, não deixou de sublinhar que houve omissões “inegáveis”. Também referiu que os documentos dos Bispos, dias depois de publicados, caem no esquecimento, e acrescentou que “a Igreja Católica passa por dificuldades muito concretas de se fazer ouvir e de dialogar”.

Garantiu que “não é fácil mudar mentalidades de dois mil anos” e que “a vida corre muito mais depressa do que as reflexões teológicas”. “A própria hierarquia – frisou – ainda não entrou na medula da fé.”

Alberto Souto de Miranda, que aprendeu muito com “a leitura deste livro”, afirmou que no Portugal de hoje “temos o privilégio de ter uma Igreja esclarecida, que convive bem com o Estado laico”. Disse que, afinal, “não se confirmaram as profecias da morte de Deus”, referindo que “o nosso passado molecular, o fenómeno religioso e a crença no sagrado têm resistido”, mas não deixou de se interrogar sobre a possibilidade da “neuroteologia nos desvendar os mistérios do cérebro”, que nos fazem crer ou não crer.

Será que, enfim, poderemos fotografar a alma? E quem não acredita terá uma deficiência neurológica? — foram perguntas que deixou no ar.

FotoMaria da Luz Nolasco, Helena Pinho e Melo (Comissão Diocesana da Cultura) e D. António Francisco

O antigo autarca questionou-se sobre o porquê de muitos procurarem “religiões de matizes várias” e sobre a razoabilidade do celibato dos padres. E perguntou se o múnus espiritual e pastoral dos padres anglicanos (casados) é exercido “menos dedicadamente” do que o desenvolvido pelos padres católicos (celibatários).

Acusou a Igreja de em pleno século XXI ainda não conseguir “integrar o postulado de que os homens e mulheres são livres e iguais”, sendo que elas não são vistas como seres menores, mas são “menorizadas e desconsideradas”.

Afirmou que a Igreja tem o seu espaço próprio, respeitado pelo Estado democrático, “que promove a igualdade e a tolerância”, não havendo tempo de “partir em cruzadas sociopolíticas”. O Estado tem tido “a sabedoria e a inteligência de colocar a Igreja onde ela deve estar”, isto é, “numa atitude de esclarecimento, de combate pelas suas ideias e princípios e, se necessário for, no respeito pelas ideias da Polis”.

O Padre Georgino esclareceu que o seu trabalho “não é um livro de história; é um livro de teologia da história”. Não inicia qualquer capítulo sem indicar o contexto; não avança sem destacar o papel de Roma; só depois surge a posição do episcopado.

Referiu que a solidariedade faz-se proposta, que não abdica da dignidade da pessoa; e que as perspectivas divergentes são mais do que muitas. “Só a liberdade liberta”, disse a encerrar.

 

Texto e fotografia: Fernando Martins
In Pela Positiva
14.12.09

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