Música
Kleine Musik: Sete Lágrimas entre Schütz e Ivan Moody
O grupo Sete Lágrinas convidou um inglês contemporâneo, Ivan Moody (n. 1964) a fazer uma releitura da obra do alemão Heinrich Schütz (1585-1672).
Tendo presentes a esmagadora preponderância da música sacra na produção de Schütz e a influência, assumida, da espiritualidade e liturgia da Igreja Ortodoxa e do canto litúrgico da Europa de Leste na obra de Moody, parece fazer todo o sentido o labor deste último em torno dos Kleine Geistliche Concerte (Pequenos Concertos Espirituais) e da primeira peça das Symphoniae Sacrae do luterano alemao. Aparte o evidente ecumenismo religioso, ressai a ligação – admiração, entendimento – que se estabeleceu entre Moody e Schütz à medida que progredia a composição «espelhada» do mais novo sobre o mais antigo, sem recorrência a citações nem a imitação estilística.
O projecto partiu de uma ideia do Sete Lágrimas: reflectir sobre a obra do maior compositor alemão de Seiscentos tomando como ponto de partida os mesmos textos que lhe haviam sustentado o fervor criativo e cristão – passagens do Antigo e Novo Testamento e das Meditationes de Santo Agostinho, em alemão e em latim. "Que ponto de partida criativo poderá ser mais rico do que o esforço de reflectir e complementar um Mestre como através de um 'espelho, em enigma'? (1 Coríntios 13)", pergunta Ivan Moody.

Fotografias: Denys Stetsenko
Em 2008 o intenso trabalho consumou-se na edição do álbum Kleine Musik, cujo alinhamento vem sendo apresentado, também em forma de espelho, nas actuações do grupo. São, ao todo, 18 peças, nove reflexos de nove composições incluídas nas colecções acima referidas: oito dos dois livros de «pequenos concertos», os Op. 8 e 9, de 1636 e 1639; uma das Sinfonias, O. 6, de 1629.

Impressionou, sobretudo, Ivan Moody a parcimónia da escrita de Schütz, que atribui às vicissitudes do pós-Guerra dos Trinta Anos e a uma subsequente assunção dessa sobriedade como prova de fé.

Contudo, o conjunto dos Concertos é estilística e formalmente rico, compreendendo nove para voz solista para além d uma variedade de peças de diferente texturas, para grupos de duas a cinco vozes, sempre com baixo contínuo; também nas Sinfonias o compositor optou por um redução substancial das forças instrumentais envolvidas, quando comparadas com obras anteriores. O Sete Lágrimas conta com um soprano, dois tenores, duas flautas de bisel, um violoncelo, um violone e uma tiorba.
Excertos do CD «Keine Musik»
Inês Almeida
In Jornal de Letras, 17.06.2009
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