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Exposição

Questões de vida e de morte na exposição "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa"

“A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa” é a primeira uma exposição internacional dedicada ao tema a realizar-se em Portugal. A primeira parte da mostra, que estará patente até 2 de Maio, é constituída por 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII. A produção dos séculos XIX e XX será exibida entre 20 de Outubro de 2011 e 8 de Janeiro de 2012.  

A exposição pretende explorar os temas recorrentes da natureza-morta ao longo de quatro séculos de história: naturezas-mortas com frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, gabinetes de curiosidades e obras em trompe-l’oeil.

A colectânea propõe-se examinar o amplo significado cultural e social da pintura de objectos e de alimentos. Os diversos sentidos da natureza-morta são tratados em profundidade: imagens conciliadoras de satisfação material podem conter igualmente mensagens morais sobre os conceitos de abundância e consumo, mas também uma chamada de atenção para a transitoriedade da vida, sobretudo evidente nos exemplos presentes da secular tradição da Vanitas, tanto nos países católicos como nos protestantes.

ImagemPieter Claesz. 1628. Amesterdão, Rijksmuseum

 

Questões de vida e de morte

A capacidade de transmitir mensagens morais profundas revelada pelas naturezas-mortas é particularmente evidente nas imagens de Vanitas - termo derivado da citação bíblica «Vaidade das vaidades, tudo é vaidade» (Eclesiastes 1:2)-, constituindo, em diferentes culturas religiosas, reflexões sobre o estado da alma do observador perante as quatro verdades derradeiras: Morte, Julgamento, Céu e Inferno.

ImagemPieter Claesz. Vanitas (1630). Mauritshuis, The Hague

Na Europa, os pintores baseavam-se num repertório de objectos simbólicos, facilmente reconhecíveis por um público decidido a encontrar um significado nestas obras e a dar sentido às suas próprias vidas. Os mais óbvios são os objectos de medição do tempo e as caveiras, significando a passagem do tempo e a inevitabilidade da morte.

Edwart Collier (1697) (Não está na exposição)

Outros objectos representam a ideia da futilidade das acções mundanas, como os livros associados às actividades intelectuais, as peças de armadura ao poder terreno, e, num toque de ironia, os atributos da pintura e da música que representam a própria vocação da arte, no caso da obra de Pieter Claesz. Outros objectos, os de vidro, por exemplo, personificam a ideia da fragilidade da vida.

ImagemWillem van Aelst. Staatliche Museen, Kassel

Objectos semelhantes figuram noutras naturezas-mortas desta exposição. Um relógio precioso pode ver visto na pintura floral de Van Aelst , e as próprias flores constituem um proeminente símbolo de Vanitas devido ao seu breve ciclo de vida. Objectos de vidro partidos surgem na natureza-morta de Stoskopff e peças de armadura numa grande pintura de Willem Kalf

ImagemSébastien Stoskopff. Natureza-Morta com Copos num Cesto, 1644. Estrasburgo, Musée de l’Oeuvre de Notre-Dame

A presença de objectos valiosos e coleccionáveis em naturezas-mortas poderia também ser encarada como um indicador do carácter ilusório da riqueza material, em conformidade com a sabedoria popular do ditado segundo o qual «nem tudo o que luz é ouro». É neste contexto moral mais lato que a natureza-morta de Evaristo Baschenis poderá ser interpretada: uma imagem musical silenciosa, acompanhada de frutos em decomposição, com apontamentos melancólicos.

 

Outros quadros desta exposição

ImagemMestre da Natureza-Morta de Hartford. Hartford, Wadsworth Atheneum Museum of Art, CT. The Ella Gallup Sumner and Mary

 

ImagemJuan Fernández El Labrador (doc. década de 1630). Madrid, Museo Cerralbo

 

ImagemJosefa de Ayala. 1676. Santarém, Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire

 

ImagemSamuel van Hoogstraten. 1664. Dordrecht, Dordrechts Museum

 

ImagemRembrandt van Rijn. C. 1639. Amesterdão, Rijksmuseum

 

ImagemJan Jansz. 165. The National Gallery, Londres

 

ImagemAbraham Susenier. 1659. Dordrecht, Dordrechts Museum

 

ImagemJean Siméon Chardin. C. 1737. Paris, Museu do Louvre

 

Texto e imagens: Museu Gulbenkian
10.03.10

Imagem
Vanitas (det.)
Simon Luttichuijs

 

 

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